O farfalhar de suas asas só é possível de escutar se acaso houvesse mergulhares de silêncio no jardim ou campo em que a avistaste. Nas ruas da cidade, o ruído dos carros e das pessoas jamais permitiria que tal sutileza chegasse aos seus ouvidos. Aquele jardim ficava de frente a uma grande avenida. Por esta razão, o pequeno inseto azul e branco a surpreende quando pousa em seu nariz, enquanto imaginava milhares de mundos secretos deitada sobre a grama. A garotinha abre os olhos e permanece onde está, estática. Os olhos estão estatelados quando sente o ser vivo lhe fazer cócegas sobre a pele. As pupilas negras doem levemente por conta da posição vesga a qual foram forçadas. A respiração fica contida, tentando não incomodar a borboleta que ali repousa. A luz do sol lhe aquece a pele e os longos cílios infantis piscam devagar. As asas mágicas da Papilonoid...