Perdoar vem do latim “perdonare” , onde “per” é um sufixo que significa através, durante, inteiramente; e o “donare” que significa doar. É algo inteiramente doado, ou adquirido através da doação. Em tese, isso para mim quer dizer que perdoar é abrir mão de algo. Abrir mão de uma punição, abrir mão da raiva, abrir mão da sua vitimização, deixar de culpar o outro. Deixar ir, desprender-se. Perdoar não é uma atitude fácil conforme a gravidade da situação. Eu mesma costumo dizer que, ainda que eu perdoe, não quer dizer que necessariamente esqueço. Parece antagônico, eu sei. Mas significa que abro mão da raiva e não da memória. Que o ocorrido me fez perder a confiança e que ficarei mais atenta àquela pessoa. Passa a existir um escudo, uma mureta entre nós. A raiva me consome, mas a memória me protege de ações futuras. “Gato escaldado tem medo de água fria”. Por mais difícil que seja perdoar um ato terrível do outro, creio que é muito mais duro perdoar a si mesmo. Quantas culpas a gente...