É um pouco esquisito para mim resgatar na memória o tal primeiro amor, porque hoje enxergo que aqueles tais "amores" eram meras paixões, atrações… Pequenos encantos ou admirações, e, na sua maioria, bem passageiros.
O amor para mim é muito mais uma construção contínua, do que um acontecimento imediato. Todos aqueles que realmente amo, ainda fazem parte da minha vida porque assim nos cultivamos e escolhemos estar. Houve quem caísse no meu desamor, e, estes sim foram dolorosos e marcantes demais...
Não sei se a gente consegue realmente escolher quem vai amar ou não… Ou será que consegue? Talvez a gente escolha por afinidade primeiro, e, o amor - ou desamor - se achegue com o tempo…
Me lembro, muito nova ainda, de prestar atenção em rapazes que me atraíam e analisá-los à distância. Primeiro, eu tentava descobrir se ele era gentil, se não destratava outras pessoas, se fazia qualquer diferença preconceituosa ou se pensava que o mundo deveria girar em torno dele. Tentava saber se ele era de beber demais ou fumava - eu já havia visto muitas coisas horríveis acontecerem na minha família por causa destas duas coisas e não queria rever aquilo. O próximo passo, era tentar descobrir se o tal gostava de crianças, pois isso era importante para mim também. Se ele reprovasse em algum destes quesitos, eu colocava imediatamente na minha cabeça que ele tinha perdido a beleza! Passava a ser feio, indigno de admiração.
Se passasse, continuava bonito. E eu passava a gostar mais dele por isto. Pode parecer louco, mas eu sempre fui muito intensa e racional ao mesmo tempo.
Dada esta longa introdução, meu primeiro amor foi…
Minha mãe.
Pelo cuidado que ela tem com todos, pelo carinho que ela distribui, por seguir firme e independente, ser emotiva e carinhosa, valente e sensível. Respeitar e transmitir toda sua ancestralidade com orgulho e admiração. Por buscar ser sempre melhor e nos dar algo de bom para acreditar.
Foi ela quem me ensinou a falar. "Apu" segundo ela, foi minha primeira palavra para água. Esta mulher foi quem primeiro me mostrou as pequenas belezas da vida: uma flor amarela no chão… O sabor de um croissant quentinho, o incrível show de uma chuva forte desenhando raios no céu, enquanto contávamos os segundos para ouvir os trovões. Achar desenhos nas nuvens enquanto admiråvamos um pôr-do-sol colorido... Seguir a trilha de uma formiguinha carregando uma folha enorme. Ouvir o som do vento balançando as árvores. Sentir o cheiro bom da canela e o calor do sol nos esquentando a pele… As horas mais banais, são as que mais me lembro, por simplesmente poder estar com ela.
Obrigada, mãe, por me ensinar como a vida pode ser bonita em toda sua extensão. Em como o amor pode estar num olhar, numa canção, num entrelaçar de dedos, num abraço, no silêncio, na gargalhada de um trava-línguas ou num simples prato de comida.
Dizem por aí que somos muito parecidas e, espero do fundo do meu coração, que sejamos, mais do que fisicamente. Porque se hoje tanto amor de mim transborda, foi de você, que primeiro ele brotou.

Minha primogênita eu te amei desde sempre na sua quietude dentro do meu ventre seu gemidinho na hora de mamar da sua risadinha banguela mais linda do mundo do seu geitinho de ouvir as historinha que contávamos pra vc dormir e até hj te amo te admiro sou sua maior fã tenho orgulho da mulher que se tornou te amo e que Deus te abençõe sempre
ResponderExcluir