Está deserto e silencioso.
A areia é fofa, morna e instável sobre seus pés descalços. Mas o caminhar é firme.
A saia despontada e longa, raspa em suas canelas enquanto caminha e reluz sob a luz do sol.
Passa devagar pela fileira de seus irmãos de jornada em meditação, carregando uma cunca acobreada e irregular com cerimônia e respeito.
Por fim alcança o mestre. Por alguma razão, os cristais dispostos em torno da testa grisalha lhe transmitem transparência e energia.
A pergunta que traz a ele é bem simples. Inclina a cabeça em respeito, Antes de proferi-la:
– O que devo fazer com isto?
– Leve ao local que pertence aos antigos.
A resposta também é simples e direta.
Outra reverência respeitosa.
O entendimento é literal e, portanto, as ações a princípio são mecânicas.
Dá alguns passos a frente, escolhendo o melhor local para virar o recipiente, liberando no ar as cinzas e pó que ali se encontravam paradas sem atingir ninguém ao seu redor.
Segue até uma pequena prateleira, onde outros objetos e esculturas sagradas se encontram repousadas, ali depositando cuidadosamente sua cunca.
Retoma seu lugar, entre os irmãos espirituais, sentando-se e assumindo uma postura meditativa.
Agora ela compreende a mensagem de modo mais viceral...
Descartou o que estava morto, empoeirado.
Reverenciou o passado ainda útil.
Deu espaço ao novo...

Comentários
Postar um comentário