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A Prisão das Máscaras

Todo ser humano invariavelmente cresce aprendendo a forjar sua própria armadura, para sobreviver a selva que o aguarda mundo a fora. Todos nós vivemos e ainda vamos viver em função das diversas máscaras que construímos para escapar da crítica e do julgamento alheios. Escapamos de algumas com o passar dos anos, mas sempre haverão outras a apertar nossos orgulhosos narizes.

A prisão a que todas estas máscaras nos impõem, ainda é o maior de todos os fardos da humanidade em função do coletivo e da suposta 'ordem das coisas'.

Não consigo, infelizmente, acreditar que algum dia nos livraremos deste artefato que esconde o que realmente somos - inclusive de nós mesmos, e que é a maior causa de todas as nossas aflições e desgraças pessoais. Pelo menos não enquanto estivermos amarrados a esta casca de carne que faz peso a nossa alma e espírito.

A pressão de tantos disfarces e escudos, tantas couraças internas e externas... Tudo isso acaba por nos fazer acreditar que nossas falhas definem o que somos. Esquecendo dos próprios princípios e objetivos que tínhamos, muitos de nós nos perdemos em um velho sentimento de melancolia e vazio que nos acompanha pelo resto da vida. Daí surgem os males como a depressão e tantos outros danos em nossa mente. É uma prisão delicada, porém verdadeiramente limitadora, nociva.

Quão custoso é impor sua verdadeira vontade, sem que seja pautada por influências, limites, modas e aparências? O quanto ainda nos machucaremos em prol deste tal coletivo, desta tal honra e moral?

Nascemos como seres que se questionam, que se transmutam, que... pensam?

Mas, por ser tão intensamente egocêntricos e carentes de atenção... Ainda haveremos de ser extintos, após tantos anos de suposta "evolução", pela nossa maior inimiga: a ignorância.

Comentários

A Galera Gostou...

Vivo. Logo...

Acho que sempre acreditei nele. Sou o tipo de pessoa que se pode chamar de passional, romântica, sensível, intensa. Mesmo antes de entender esse sentimento, eu já o sentia em mim. Não tem como duvidar de algo que já está dentro de você… Ou será que tem? Na verdade, tem como sim. Já muitas vezes duvidei de mim. Do amor, nunca. O vejo nas plantas, nos animais, nas pessoas… Eu não estou falando só de amor romântico, porque esta palavra é tão ampla, tão abrangente… E tão intensa em mim. Quem nunca viu o amor numa pintura? Numa foto? O amor está num simples toque. No silêncio entre duas pessoas. Na compreensão das diferenças. Na admiração pelo outro. Na beleza que está dentro. O amor é o que me move, desde que me lembro. Já perdi a esperança nas pessoas e até no sentido da vida, algumas vezes ao longo dos anos. Mas o amor sempre estava lá, em algum lugar. O que me faz acreditar no amor, nunca foi exatamente uma pessoa, mas o próprio sentimento em si. Acho que simplesmente...

O Antigo e o Novo

Está deserto e silencioso. A areia é fofa, morna e instável sobre seus pés descalços. Mas o caminhar é firme. A saia despontada e longa, raspa em suas canelas enquanto caminha e reluz sob a luz do sol. Passa devagar pela fileira de seus irmãos de jornada em meditação, carregando uma cunca acobreada e irregular com cerimônia e respeito. Por fim alcança o mestre. Por alguma razão, os cristais dispostos em torno da testa grisalha lhe transmitem transparência e energia. A pergunta que traz a ele é bem simples. Inclina a cabeça em respeito, Antes de proferi-la: – O que devo fazer com isto? – Leve ao local que pertence aos antigos. A resposta também é simples e direta. Outra reverência respeitosa. O entendimento é literal e, portanto, as ações a princípio são mecânicas. Dá alguns passos a frente, escolhendo o melhor local para virar o recipiente, liberando no ar as cinzas e pó que ali se encontravam paradas sem atingir ninguém ao seu redor. Segue até uma pequena prateleira, onde ...

Revoada

... Posso observar a revoada das andorinhas-de-sobre-branco na sacada, As abelhinhas jataí nas plantas que cultivei, Ouvir o canto alegre das maritaquinhas nas árvores da praça... Nada é meu. Mas essa vida frágil que resiste a cidade cinza, Me cura. Esses momentos são tudo para mim. Nada possuo. Neles me agarro. Respiro. Me arrebatam.