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O dia mais triste

Já contei que estou fazendo um desafio de escrita criativa, para poder voltar a escrever?

Estou seguindo uma lista da @mellfernandes_ para poder ter um gatilho pra me mover na escrita, que anda meio abandonada. Hoje o tema é "o dia mais triste da sua vida".

Eu já percebi que tenho muita dificuldade em cravar títulos que parecem definitivos demais.

"O dia mais triste da minha vida" hoje, amanhã pode mudar, penso eu. Até porque, em cada fase triste da minha vida, enquanto eu a vivia, era o momento mais triste. Hoje, não é mais...

Penso demais? Imagina...! Às vezes acho que meus pensamentos conseguiriam até me engolir inteira e, do mesmo jeito que me movem, podem me barrar. É difícil botar ordem na casa e lembrá-los que quem manda sou eu. São bichinhos que apenas habitam aqui e, que, se não me estabilizo e os deixo passar, pipocam sem parar. Provavelmente é o que me faz escrever, pintar... Afinal é muita coisa para que eu consiga aguentar dentro de mim.

Pensando neste tema, muitas tristezas me vieram a mente. Perda de pessoas queridas, sonhos premonitórios que me trouxeram luto antecipado, instantes da pandemia que eu não sabia porque eu devia me mover. Acho até que no dia mais pesado da melancolia de pandemia, foi quando escrevi sobre as revoada das andorinhas, pois a presença delas ali que me fez chorar um choro bom de esperança.

Mas também existem coisas que passei e senti ao longo da vida que, na verdade, tenho medo de dizer em voz alta. Acho que nunca compartilhei totalmente com ninguém. Tenho medo do que elas ainda podem causar se ditas ou escritas, talvez.

Sou humana e tenho meus próprios medos, piras e ansiedades, como todo mundo.

Às vezes tropeço nelas, mas até hoje, consegui levantar.

Acho que isso que importa no final e, talvez seja disto que eu realmente queira me lembrar.

Pra não desobedecer tanto o desafio, porém, escrevi um trecho fictício do dia mais triste da vida de um personagem meu.

Para quem não sabe, eu tenho um projeto antigo e muito longo de livros, dos quais ainda não consegui juntar todos os retalhos.

Por esta razão, vou deixar aqui um trecho menor, para não tornar isso um spoiler, naquele futuro em que eu ainda acredito que conseguirei finalizá-lo e publicá-lo...

"Eu a enxergo escorada numa janela em grade quadriculada, olhando para o céu - ou talvez para o nada - enquanto aquela iluminação xadrez dourava sua pele.

Outra vez tenho náusea.

Não ouso me aproximar antes que ela perceba que estou ali, na esperança de arrancar-lhe algum sorriso. Pigarreio. O rosto delicado se vira.

Debaixo dos longos cílios, um vazio imenso. Não sei se ela sequer me reconhece.

Quero correr.

Acordar.

Não quero que seja real.

Engulo a seco o choro que quer me engolir.

Insisto em encarar seus olhos opacos, com uma única certeza: que a vida nela tinha sido roubada. Que sua alma estava quebrada, ali, diante de mim… E eu não tinha capacidade de remendar. Por mais que eu desejasse soprar o ar de volta em seus pulmões, eu sabia que não era tão simples."

Comentários

A Galera Gostou...

Vivo. Logo...

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O Antigo e o Novo

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Revoada

... Posso observar a revoada das andorinhas-de-sobre-branco na sacada, As abelhinhas jataí nas plantas que cultivei, Ouvir o canto alegre das maritaquinhas nas árvores da praça... Nada é meu. Mas essa vida frágil que resiste a cidade cinza, Me cura. Esses momentos são tudo para mim. Nada possuo. Neles me agarro. Respiro. Me arrebatam.